Greece II – of how it started to grow on me.


Cada dia é decidido na véspera em função de horários, proximidades e, sobretudo, vontade, mas a próxima paragem em Delphi é uma escolha pragmática: o principal mosteiro de Meteora vai estar fechado no dia seguinte.

Todos os dias são uma tentativa mal sucedida de acordar cedo e de chegar cedo ao destino e é por isso sem surpresa que Delphi nos recebe com a noite já estabelecida há umas boas horas. Não desgosto de chegar à noite – há sempre uma surpresa reservada para o acordar. 

Aproveito para passear na rua principal, para depois escolher a mesa mais próxima do fim de um terraço para o jantar. Adivinho a imensidão da paisagem que a noite oculta; é quase palpável, mas não sei o que vou ver. Só no dia seguinte, com o véu da escuridão levantado, percebo a dimensão de um vale que se afunda entre montanhas demasiado altas para um país conhecido pela praia, as estâncias de ski a desafiar o óbvio do azul do mar que desenha ao fundo os recortes de uma costa suavemente irregular. 

Passeamos nas ruínas onde 2 águias se encontraram, estabelecendo aquele ponto como o centro do mundo. Faço a caminhada até ao estádio sozinha, o ritmo dos passos marcado pelo ritmo das músicas criteriosamente seleccionadas na playlist que criei para o efeito – o de andar, entenda-se. Roubo ainda tempo para me deitar num muro a ouvir música. O templo faz-se rodear de montanhas imponentes, com o Monte Parnasso a ganhar em imponência às ruínas. Uma coisa é certa: os gregos antigos sabiam escolher onde assentar. 

De Delfoi seguimos caminho por entre as montanhas em direcção a Meteora, com um desvio de algumas dezenas de Km para fazer mais um pouco de costa. Paramos em Volos (digo sempre Volvos), numa rua ao acaso; caminhamos por onde calha e acabamos por encontrar a simpática e colorida esplanada da Petite Cantine. Cartazes cá fora anunciam o brunch de Domingo, enquanto a dona se desculpa pela falta de um menú em inglês – abrimos há pouco tempo, explica-nos. Em frente fica uma espécie de mercado de pequenas lojas corridas, já todas fechadas. As pessoas passeiam-se indiscriminadamente nas estradas ou nos passeios, andam de mota sem capacete (crianças incluídas) e, reparo, tudo em geral se mantém genuíno. À excepção da capital (e mesmo aí com menor densidade do que o expectável), não se encontram aqui as cadeias de lojas e de fast food que conferem uma homogeneidade descaracterizadora a muitas das cidades por onde já passei. Talvez por isso a Grécia me pareça mais um país de leste pintado pelo Mediterrâneo do que um país formalmente europeu.

E é assim que a Grécia começa a encontrar o seu lugar em mim.  
***
Each day is planned the night before, depending on timetables, distances and, most of all, willingness, but the next stop is a pragmatic choice: the main monestry of Meteora will be closed on the next day.
We never succeed on the early wake ups, so it’s not surprising that Delphi greets us with the night fully settled. I kind of enjoy the nocturnal arrivals – there’s always a surprise reserved for the next morning. 
After walking for a while in the main streets, I pick the table nearest the end of a terrace for dinner. I can only imagine the vastness of the landscape that the night hides; I can almost touch it, but I cannot see it. Only in the next day, when the darkness curtain is lifted, I realize the hugeness of a valley that sinks between mountains too tall for a country known for it’s beaches, the ski stations daring the obvious of the blue sea that draws the line of a delicate irregular coast. 
We walk in the ruins where the two eagles met, establishing the center of the world in that exact point. I walk to the stadium by myself, the rythm of my footsteps coordinated with the carefully selected songs on the playlist I use for walking. The temple is surrounded by imponent mountains, the Parnasso Mountain gaining in highness to the ruins. One thing’s for sure: ancient Greeks knew how to pick a spot! 
From Delfoi, the roadtrip continues through the mountains to Meteora, with a short escape to drive on the coast. We eventually stopped in Volos (on my mind, always Volvus). Walking randomly in the streets, we end up finding a colorful and nice terrace, the Petite Cuisine. The wall posters publicize the Sunday brunch, while the owner excuses herself for the ab else of an English menu – we just opened, she adds apologetically. In front of us is a small market with floor stores; all of them are already closed. People walk carelessly either on the main street or on the sidewalk, ride motorbikes with no helmets on (children included) and I can’t help but notice how everything in here is still so genuine. Apart from the capital (and even there, not as much as you’d except), we don’t find here the big stores and fast food chains that give a monotonous homogeneity to many of the cities I’ve been at. Maybe that’s why Greece strikes me more like a east country painted by the Mediterrean sea, instead of a formal European one.
And that’s how Greece starts to get to me.

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