From Greece (IV) – how Santorini? 

A culpa de estarmos num barco com destino a Santorini e que agora atraca em Ios é do Konstantino, da Ermelinda e do António. Tudo gente que conhecemos pelo caminho. Começamos esta viagem com a firme certeza de evitar os destinos mais turísticos (para ambas) e de ir a Creta (eu). O Konstantino foi o primeiro a desafiar-nos os planos.

– Where would you go, then? – perguntamos-lhe quando nos diz que, atendendo aos nossos dias de viagem, desaconselha Creta.
– Aaaaahhhhhh…. Santorini! – diz com o sotaque de erres carregados com que os gregos dão cartas em inglês.

Fá-lo com aquele sorriso de quem fala de um afecto íntimo e com o brilho nos olhos que muitos poucos sítios no mundo conseguem iluminar. O mesmo brilho que, mais tarde no mesmo dia, veríamos a bailar nos olhos de Etelvina quando os lábios pronunciavam o mesmo nome. Santorini. Deve haver um nome mundial para este sentimento – penso, enquanto tomo a nota mental de pesquisar mais tarde. Reconheço-o. Para mim chama-se praia Café.

Em Kalambaka, perto de Meteora, conhecemos António. Tem 29 anos e toma conta da farmácia de vila desde que voltou de Bratislava, onde se licenciou. – Neste momento, tu tens o poder de decidir – dizemos-lhe, alguns dedos de conversa depois de aceitar o nosso convite de se juntar à nossa mesa. Creta ou Santorini? Santorini, responde, o brilho nos olhos ainda pouco amadurecido de quem é demasiado novo para perceber que há sítios, sentimentos e pessoas que se encontram pouca vezes na vida.

Fica decidido. O destino parece querer levar-nos para a encosta branca e azul de vulcão – e quem somos nós para contrariar as evidências. Serendipity. Não sei ainda o que vamos lá encontrar mas uma coisa é certa – só esta viagem no barco de cruzeiro já valeu a pena.

***
The responsibles for us to be on a boat destined to Santorini, now tracking at Ios’ port, is from Konstantino, Ermelinda and Antonio. All of them people we met on the road. We began this trip with the firm conviction of avoiding the most touristic destinations (for both) and of going to Crete (me). Konstantino was the first one to challenge our plans.

Where would you go then? – we ask him while he’s trying to convince us that, considering the days we have, he wouldn’t advise Crete.
Aaaaahhhhh…. Santorini! – he answers with that R’s loaded accent Greeks cannot avoid when speaking English.

As he speaks, he wears the smile of those who recall an intimate affection and that eye glow which only a few special places can light. The same glow that, later on the same day, we would see dancing in Etelvina’s eyes while her lips moved to give us the exact same answer. Santorini. The should be a word for this feeling – I ponder, taking a mental note to search for it later. I recognize it. To me, it’s called Praia Café.

In Kalambaka, near Meteora, we meet António. He’s 29 and looks after the local pharmacy since he returned from Bratislava, where he graduated. – Right now, you have the power to decide – we tell him, few minutes after he joins us at the dinner table. – Crete or Santorini? Santorini, he answers immediately, the immature glow in his eyes being too young to realize that some places, feelings, and persons are found so rarely in life.

It’s decided, then. Destiny seems to lead us to the white and blue volcano hillside – and we do not get the right to ignore this evidence. Serendipity. I still don’t know what we’ll find there, but of one thing I’m sure of – this boat ride made it already worth.

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